Meia-noite: hora da sessão maldita no Garapa

Formado em comunicação social pela Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), o produtor, ator, autor e jornalista Clóvys Torres apresenta o espetáculo Moscarda, como parte das atividades paralelas do 5º Fentepira. Adaptação de Valéria Lauand do livro Um, Nenhum e Cem Mil, de Luigi Pirandello, a peça será encenada à meia-noite do dia 27 de novembro, sábado, no Ponto de Cultura Garapa.

Um, Nenhum e Cem Mil foi escrito em 1926 e traz como elementos apenas um ator, uma poltrona e a história de Moscarda, homem atormentado com as descobertas sobre si mesmo. Ao ser alertado pela mulher para um pequeno “defeito” em seu nariz, ele nos coloca diante de uma questão existencial e filosófica: “quem somos?”

A estreia da peça ocorreu em 14 de setembro, no Teatro do Ator, sediado na tradicional Praça Roosevelt, em São Paulo, no bairro Consolação. “Apaixonei-me por Pirandello desde o primeiro contato com Sei Personagens À Procura de um Autor, quando li há 15 anos. Agora, durante nossa pesquisa sobre textos, me deparei com Um, Nenhum e Cem Mil. Na hora tive certeza de que era esse questionamento que reverberava mais forte em mim. Um desafio e tanto, falar de forma tão existencial e filosófica sobre o maior mal da nossa sociedade atual: a falta de consciência de nosso papel social, de nosso ‘eu’, ou de nossos ‘eus’. É para revolver nos quartos escuros e esfregar o medo na cara, diante do espelho, porque com Pirandello não tem ‘meias verdades’, observa Clóvys Tôrres.

A HISTÓRIA
Moscarda é um monólogo de grande intensidade dramática, que dificilmente se enquadra dentro de um gênero ou de uma escola. Pirandello, bem conhecido pela sua obra teatral, transpôs para esta narrativa muitos dos processos dramáticos que fizeram dele um dos grandes dramaturgos do século 20.

Vitangelo Moscarda é um homem que vive instalado na sua condição, até o dia em que a mulher lhe revela um pequeno desvio em seu nariz. A partir daí Moscarda sofre o inferno dos espelhos, do olhar dos outros, que nele vêem sempre o que ele não é.

E Moscarda descobre outros cem mil moscardas que é, para além dos outros, para si mesmo. “Se para os outros eu não era o que até agora, dentro mim, imaginei que fosse, quem eu era?” Este mergulho interno e filosófico parece não ter fim. Afinal, o que sabemos a respeito de nós mesmos?

Uma pergunta essencial que faz muito sentido em nossa sociedade contemporânea. Para onde caminhamos com tamanha velocidade? Quem somos ou pensamos ser? A pergunta de Moscarda/Pirandello se faz necessária e atual e reverbera em nossas vidas.

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