Espetáculo Primus reflete sobre a espécie humana

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Refletir sobre o gigantesco percurso da evolução humana. Este é o mote do espetáculo Primus, baseado na obra do escritor tcheco Franz Kafka (1883-1924). A montagem da Boa Companhia, trupe de artes cênicas sediada em Campinas, estará em cartaz no Teatro Municipal Dr. Losso Netto nesta quarta-feira (2), às 20h, como parte da programação do 6º Fentepira.

Baseado no conto Comunicado para uma Academia, de Franz Kafka, datado de 1917, o espetáculo tem direção de Verônica Fabrini e conta a história de um macaco que, para garantir seu lugar ao sol, aprendeu a ser homem e tornou-se um pop-star do teatro de variedades. Os atores, ora feras amestradas, ora amestradores, cantam, tocam e sapateiam. Afinal, todos precisam de um lugar ao sol. Enquanto ainda há sol.

O conto, escrito na primeira pessoa pelo personagem-narrador, em forma de um relato, narra a história de um macaco que após ser caçado e capturado consegue transformar-se em humano e relata a uma academia de ciências como aprendeu a falar e comportar-se como gente. Só que, no caso, comportar-se como um humano significa aprender a cuspir, fumar e se embriagar – comportamento que o personagem aprende às custas de queimaduras e chicotadas.

Duas alternativas de sobrevivência lhe são oferecidas: o jardim zoológico ou o show business (teatro de variedades); ele escolhe o show business. Questões filosóficas relativas à superioridade do ser humano frente à natureza, os limites entre natureza e cultura, a necessidade de submissão e consequente perda da liberdade para fazer parte do show da “civilização”, o humano como reino da necessidade e não da liberdade, são alguns dos instigantes questionamentos trazidos pelo conto.

A encenação de Primus inscreve-se no que tem sido chamado de teatro físico, uma vez que a aproximação do conto parte de uma perspectiva fortemente centrada no trabalho corporal. No entanto o grupo lança mão também de recursos visuais de projeção de imagem, do canto e da percussão ao vivo.

A base gestual tem como ponto de partida o estudo das estereotipias de primatas em cativeiro, através de observações no Zoológico de São Paulo. O trabalho vocal parte da linguagem não articulada, caminhando para a palavra, as canções do music-hall até a alta codificação do canto lírico.

As imagens que compõem parte do cenário procuram captar as dissonâncias entre a harmonia do mundo natural versus a desarmonia do mundo civilizado. A percussão busca nos ritmos primitivos africanos e no trabalho de livre improvisação, a construção de climas sonoros que ora conduzem a cena, ora oferecem apenas uma sustentação rítmica à ela.

O único objeto cênico utilizado pelos atores é um bastão de madeira rústico (quatro bastões), que por sua versatilidade prática e simbólica é utilizado como arma, como grades da jaula (há um encaixe nas caixas de madeira para os bastões), como cajado, etc.

A Boa Companhia – Nascida na Unicamp (Universidade de Campinas), a Boa Companhia tem 19 anos de trajetória bem-sucedida – com prêmios conquistados no Brasil e no exterior. A título de exemplo, o espetáculo Primus foi apresentado no Festival Internacional Arena-02, em Erlangen, na Alemanha, e já passou por Portugal.

Tendo como proposta a pesquisa da linguagem cênica a partir do trabalho do ator, a Boa Companhia é formada por profissionais da área teatral dispostos não só a apresentar suas montagens teatrais e performances, como também trabalhar junto a empresas, escolas e outras instituições na área educacional (cursos e oficinas de montagens) e de entretenimento.

Com este intuito, vem norteando a sua atuação através da pesquisa, intercâmbio e a férrea vontade de expandir os horizontes através da arte. Exibe um currículo eclético, com montagens que vão de Shakespeare a Qorpo Santo, passando por Nelson Rodrigues, Samuel Beckett além de adaptações de textos literários de autores como Guimarães Rosa.

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