Grupo Ventoforte une poesia e lirismo em Ladeira da Memória

Um dos mais antigos grupos de teatro do país, o Ventoforte, de São Paulo, é conhecido pela junção da cultura popular com a erudita e pela presença da música e das artes plásticas em suas montagens. A trupe integra a programação do 8º Fentepira (Festival Nacional de Teatro de Piracicaba) com o espetáculo Ladeira da Memória ou Labirinto da Cidade, que explora elementos como panos, cores, sombras e bonecos para narrar, em forma de fábula, os conflitos entre periferia e subúrbio. A apresentação acontece no Teatro Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), às 20h de domingo (3), com entrada gratuita.

Acompanhada por cinco músicos, a peça começa com um cenário móvel, feito com grandes bambus e um enorme tecido. Embalado com a trilha sonora ao vivo, o público é apresentado ao engraxate Januário, servo de brancos, mouros e índios no Anhangabaú (Ladeira da Memória). Ele vai a uma festa misteriosa no Centro, em busca de um cavalo alado. Enquanto entra num sonho, seus pais perdem as roupas e a casa. Na saga de Januário, em que há uma amiga muda e seu amigo da classe média alta, há bandeirantes que cruzaram as trilhas do Eldorado, escravos, deuses e a morte.

Em 1h50 de peça, o público se envolve com as metáforas e descobre que entre a janela dos pobres e a dos ricos, entre o poder e a simpatia, entre Pai e Mãe de Januário e a censura, está a divisão do próprio homem: divido entre Ocidente e Oriente, entre mouro e louro e, claro, dentro dele mesmo. Como ensinou Ítalo Calvino, o homem partido ao meio é todo homem. Ele enfrenta apenas ele mesmo em busca de amor.

A peça bebe fortemente na poesia do dramaturgo espanhol Federico García Lorca Lorca e do escritor, poeta e dramaturgo francês Victor Hugo. No entanto, Ladeira da Memória é toda ambientada sob visões do alemão Bertolt Brecht. As metáforas e a linguagem do Ventoforte fazem um passeio por uma festa de rua e dão um forte recado aos espectadores, ao mostrarem o labirinto do qual a Cidade nasceu.

O VENTOFORTE – A poesia e literatura de Lorca, de Victor Hugo, de Brecht, Suassuna e Oscar Wilde misturada ao Bumba meu Boi, cirandas de roda, cultura judaica e brincadeiras de criança; a Educação Através da Arte: um teatro que faz metáforas para jovens, de forma divertida, e fala, até para crianças muito novas, sobre indiferença, fome, egoísmo.

Um grupo de teatro que ganhou mais de uma centena de prêmios pelo ineditismo ao usar bonecos, sombras e construir cenários. Uma companhia premiada por trazer consigo parceiros como Nise da Silveira, Paulo Freire e Anísio Teixeira. E um grupo que, para tudo isso, ousou somente pedaços de papel, retalhos de panos e jornal como personagens. O Ventoforte representa um tropicalismo e uma antropofagia dentro de seu gênero teatral.

O Ventoforte tem como criador e dramaturgo o poeta argentino naturalizado brasileiro, Ilo Krugli. Pesquisador de bonecos e de uma linguagem poética própria, Ilo é um dos seguidores de Federico Garcia Lorca na América Latina. Entre seus clássicos estão os premiados Bodas de Sangue, Se o Mundo fosse Bomo Dono Morava Nele e O Mistério do Fundo do Pote ou Como Nasceu a Fome. Esta último indicado ao prêmio Jabuti de literatura.

O FENTEPIRA – Criado para popularizar as artes cênicas, fomentar os grupos teatrais, formar plateias e estimular a troca de ideias, o Fentepira é realizado pela Semac (Secretaria Municipal da Ação Cultural), por meio da Prefeitura do Município de Piracicaba. As atividades seguem até 10 de novembro com oficinas, palestra e espetáculos gratuitos no Teatro Municipal Erotídes de Campos, Sesi Piracicaba, Praça José Bonifácio, Colégio Piracicabano e Ponto Arte Garapa.

São parceiros da oitava edição o Sesi Piracicaba, Tusp Piracicaba, Senac Piracicaba, Apite! (Associação Piracicabana de Teatro), Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), Secretaria Municipal de Educação e Centro de Comunicação Social.

SERVIÇO – 8º Fentepira, com o espetáculo Ladeira da Memória ou Labirinto da Cidade, do Grupo Ventoforte. Domingo (3), às 20h, no Teatro Unimep (rodovia do Açúcar, km 156, Taquaral (SP-308)). Entrada gratuita. A distribuição de ingressos tem início uma hora antes das apresentações. Duração: 110 minutos. Classificação: livre. Mais informações no site http://www.fentepira.com.br, no blog www.fentepira.wordpress.com, pelo Facebook Fentepira Piracicaba ou pelos telefones (19) 3413-5212 e 3413-8526.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s