Encenada em espelho d’água, 180 Dias de Inverno narra experiência do multiartista Nuno Ramos

A experiência de vida de Nuno Ramos, um dos mais representativos artistas plásticos brasileiros da atualidade, é retratada no palco em 180 Dias de Inverno, espetáculo da Companhia Afeta que integra a mostra oficial do 8º Fentepira (Festival Nacional de Teatro de Piracicaba). A apresentação, quarta-feira (6), às 20h, no Teatro Municipal Erotídes de Campos, narra os seis meses em que ele cuidou de Sandra, sua esposa, uma mulher atormentada por depressão severa acompanhada de anorexia bulímica. O festival segue até o domingo (10).

A peça foi contemplada no prêmio Myriam Muniz 2009 e ganhou os prêmios de melhor espetáculo teatral de 2010 pelo site cultural Mixsórdia, melhor trilha sonora pelo prêmio Sinparc Usiminas 2011, melhor iluminação pelo prêmio Sesc/Sated- MG 2011, além de mais 10 indicações em outras categorias.

O espetáculo é baseado no texto Minha Fantasma, um diário real de Nuno publicado em seu livro Ensaio Geral. Por meio de uma linguagem intimista e poética, ele narra suas incertezas, desejos, dúvidas e medos. Para trafegar entre a delicadeza poética e a crueza real dos fatos narrados, o diretor Nando Motta utilizou referências da dança-teatro de Pina Bauch, aliadas à estética dos diretores de cinema Stephen Daldry (As Horas) e Michel Gondry (Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças).

A dualidade entre uma encenação minimalista, recheada de sutileza e agressividade, ganha vida com os atores Ludmilla Ramalho, Camilo Lelis e Fabiano Persi. Os três atores dão vida aos personagens Ele, Ela e o Outro (alterego de Ele e Ela). Dentro de um grande espelho d’água, com móveis semi-submersos e luminárias de teto que “choram”, eles revivem os momentos e sentimentos relatados por Nuno.

Nuno é pintor, desenhista, escultor, escritor, cineasta, cenógrafo e compositor. Como artista plástico, participou dos mais importantes movimentos artísticos dos anos 80 e 90 no Brasil e é reconhecido mundialmente como um dos nomes fortes das artes visuais contemporâneas. Sua recente carreira como escritor ganhou reconhecimento internacional com o Prêmio Portugal Telecom de Literatura pelo livro Ó (2009) e por Junco na categoria poesia (2013).

COMPOSIÇÃO – Inspirados na frase “A beleza da iminência do desastre” e na instalação Maré Mobília, ambas de autoria de Nuno, cenários e figurinos realçam a “beleza bruta e cataclísmica” dessa história através da imagem de um quarto afogado e da sensação latente de cansaço.

A trilha sonora foi criada exclusivamente para o espetáculo e construída durante os ensaios. Sons produzidos pelas falas, corpos e ações dos atores foram utilizados na composição. O resultado é uma trilha contundente, que dialoga diretamente com as cenas e os atores.

As projeções que permeiam a encenação têm como objetivo proporcionar diferentes contornos e possiblidades de interpretação. Para isso, são utilizadas imagens do interior de uma casa, gravadas em stop-motion, e de desenhos animados. O desenho da iluminação do espetáculo emprega uma delicada dinâmica de luz e sombra para destacar a dualidade entre os momentos de extrema intimidade do quarto do casal e a aridez de uma sala de espera de hospital.

Após o espetáculo, o grupo participa de um bate-papo com o público, a companhia teatral e a comissão debatedora composta pelo curador, o diretor teatral Roberto Rosa, a dramaturga Ana Souto e o crítico de teatro Alexandre Mate, professor do Instituto de Artes da Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho) e membro da comissão que define os finalistas para o prêmio Shell de Teatro.

AFETA – A Companhia Afeta surgiu, em 2009, na cidade de Belo Horizonte (MG), do encontro do ator e diretor Nando Motta com a atriz, performer e produtora Ludmilla Ramalho. Os dois artistas compartilhavam do mesmo desejo: dar vazão a seus anseios criativos, lançando mão de várias estéticas, linguagens, referências, tecnologias, e conceitos em um movimento antropofágico amplo e irrestrito.

O primeiro fruto dessa inquietação foi o espetáculo 180 Dias de Inverno, que estreou em 2010. Em sua segunda investida, a companhia produziu e mantém em repertório a trilogia de intervenções urbanas Procura-se, Afete-se, Escute-se e as performances Viuvez em capítulos, In Memoriam e Amar-elo, em que procura extrapolar os limites entre espaço público e privado.

O FESTIVAL – Todos os anos, integram a programação do Fentepira diversos espetáculos nacionais nas categorias adulto, infantojuvenil e teatro de rua. Diferente dos demais eventos do gênero no país, esta não é uma mostra de caráter competitivo e oferece ajuda de custo aos grupos conforme as distâncias de Piracicaba. As 10 montagens da mostra oficial foram escolhidas entre as 217 inscritas de 15 estados.

A Prefeitura de Piracicaba é realizadora do Fentepira, por meio da Secretaria Municipal da Ação Cultural, com o apoio do Sesi Piracicaba, Tusp Piracicaba, Senac Piracicaba, Apite! (Associação Piracicabana de Teatro), Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), Secretaria Municipal de Educação e Centro de Comunicação Social.

SERVIÇO – 8º Fentepira. Espetáculo 180 Dias de Inverno, quarta-feira (6), às 20h, no Teatro Municipal Erotídes de Campos (avenida Maurice Allain, 454, Parque do Engenho Central). Entrada gratuita. A distribuição de ingressos tem início uma hora antes da apresentação. Duração: 60 minutos. Classificação: 16 anos. Mais informações no site http://www.fentepira.com.br, no blog www.fentepira.wordpress.com, pelo Facebook Fentepira Piracicaba ou pelos telefones (19) 3433-4952, 3434-2168.

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