Ópera às avessas toma conta da Praça José Bonifácio

Foto: Romison Paulo
Foto: Romison Paulo

Uma ópera que foge do bel canto e abusa de ritmos populares é o que o público encontra em Ópera do Trabalho, espetáculo a ser apresentado no sábado (9), às 11h, na praça José Bonifácio, região central de Piracicaba. A montagem paulistana do Grupo Buraco d’Oráculo integra a mostra oficial do 8º Fentepira (Festival Nacional de Teatro de Piracicaba), que vai até o domingo (10).

O espetáculo toma como mote a pesquisa sobre a precarização do trabalho e a estética musical épico-narrativa. Nele, são questionados os modos de produção e as condições do universo do trabalho de maneira cômica e crítica. A peça foi estruturada de forma episódica, buscando a música e os ritmos populares como tônica da dramaturgia, criando situações, diálogos, distanciando ou envolvendo os espectadores. Quem assina o projeto sonoro é Celso Nascimento. A direção é de Adailto Alves.

Na pesquisa foram agregados jovens atores, para além dos integrantes do grupo. O objetivo é desvelar como os produtores estão apartados de sua produção, submetidos a péssimas condições de trabalho, mas sempre com humor, elemento crítico fundamental. Além do próprio Alves, integram o elenco Amanda Nascimento, Daniela Landin, Edson Paulo Souza e Guto Nunes, Heber Humberto, Lu Coelho, Luana Csermark, Luciana Yumi, Nathaly Oliveira, Patrícia Leal, Selma Pavanelli e Thiago Thalles.

O espetáculo integra a programação da mostra oficial do Fentepira, que em 2013 selecionou 10 montagens brasileiras de 217 inscritas de 15 estados brasileiros. Após a apresentação, o público pode acompanhar na própria Praça José Bonifácio o bate-papo entre debatedores do 8º Fentepira e elenco do Buraco d’Oráculo. A intenção é discutir os aspectos cênicos da montagem. O trabalho está aos cuidados do curador da oitava edição, o diretor teatral Roberto Rosa, a dramaturga Ana Souto e o crítico de teatro Alexandre Mate, professor do Instituto de Artes da Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho) e membro da comissão que define os finalistas para o prêmio Shell de Teatro.

CONTEMPORANEIDADE – O Buraco d’Oráculo nasceu em 1998 com o intuito de  discutir os problemas do homem urbano contemporâneo. O grupo tem seu trabalho calcado em três pontos fundamentais: a rua, como local fundamental para promover o encontro direto com o público; a cultura popular, como fonte inspiradora; e a comicidade, destacando-se a farsa e as relações com o realismo grotesco.

A descoberta das manifestações populares como elementos de expressão deu-se a partir do encontro com Ednaldo Freire, que orientou o grupo em 1999 e 2000. Desde 2002, o Buraco d’Oráculo atua na região de São Miguel Paulista, bairro da Zona Leste de São Paulo.

Por meio do Projeto Circular Cohab’s, desenvolvido em 2005 com recursos do VAI (Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais), o grupo se apresentou nos conjuntos habitacionais da Cohab (Companhia de Habitação) dessa região da capital. Esse trabalho ampliou-se a partir de 2006 com o apoio do Programa de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, possibilitando apresentações em 18 conjuntos habitacionais para um público total de mais de 30 mil pessoas.

A partir de 2008, o grupo passou a pesquisar junto às comunidades de atuação, o que resultou no espetáculo Ser TÃO Ser – Narrativas da Outra Margem, montagem que estreou em 2009 e esteve no 6º Fentepira, em 2011, entre as dez montagens selecionadas na ocasião pela comissão organizadora.

Desde a formação até o presente momento, o grupo produziu oito espetáculos, mantendo a proposta de evidenciar os tipos comuns. São eles: A Guerra Santa (1998), Amor de Donzela, Olho Nela! (1999), Quem Pensa que Muito Engana, Acaba Sendo Enganado (2000), A Bela Adormecida (2001), O Cuscuz Fedegoso (2002), A Farsa do Bom Enganador (2006), Comi Cidade (2008), Ser TÃO Ser – Narrativas da outra margem (2009) e Ópera do Trabalho (2013).

FIM DE SEMANA – A programação do Fentepira segue no sábado (9), às 16h, no Sesi Piracicaba, onde será apresentado o infantil O Menino que Mordeu Picasso, da Companhia Charge Produções Culturais, da cidade de Atibaia (SP). Às 20h, no Teatro Municipal Erotídes de Campos, no Engenho Central, acontece a apresentação do espetáculo Agda, da Boa Companhia e Grupo Matulateatro, de Campinas.

No domingo (10), às 16h, o Teatro Erotídes de Campos abriga A Cortina da Babá, montagem infantil do Grupo Sobrevento que explora o teatro de sombras e faz parte do projeto Diversão em Cena, da ArcelorMittal. Na área externa do Engenho Central, às 17h, o grupo Cirquinho do Revirado, de Criciúma (SC), apresenta a peça Júlia. Às 20h, no Ponto Arte Garapa, é a vez de Ara Pyau – Liturgia Para O Povo Invisível, do Grupo de Teatro Girandolá, de Francisco Morato.

A Prefeitura de Piracicaba é realizadora do Fentepira, por meio da Secretaria Municipal da Ação Cultural, com o apoio do Sesi Piracicaba, Tusp Piracicaba, Senac Piracicaba, Apite! (Associação Piracicabana de Teatro), Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), Secretaria Municipal de Educação e Centro de Comunicação Social.

SERVIÇO – 8º Fentepira, com o espetáculo de rua Ópera do Trabalho, do Grupo Buraco d’Oráculo. Sábado (9), às 11h, na Praça José Bonifácio (Centro de Piracicaba). Gratuito. Duração: 60 minutos. Classificação: 14 anos. Mais informações no site http://www.fentepira.com.br, no blog www.fentepira.wordpress.com, pelo Facebook Fentepira Piracicaba ou pelos telefones (19) 3413-5212 e 3413-8526.

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