Agda, conto de Hilda Hilst, é adaptado para os palcos

Eleita pela crítica especializada como uma das maiores escritoras da língua portuguesa do século 20, Hilda Hilst mobilizou dois grupos campineiros de artes cênicas na adaptação de um de seus mais famosos textos. E assim nasceu Agda, em 2011, pelas mãos da Boa Companhia e Grupo Matulateatro, a partir do conto homônimo presente na obra Kadosh, publicada em 1973. A montagem é uma das 10 selecionadas para a mostra principal do 8º Fentepira (Festival Nacional de Teatro de Piracicaba). A apresentação acontece no sábado (9), no Teatro Municipal Erotídes de Campos. A entrada gratuita.

Fábula atemporal de caráter trágico que narra a trajetória de uma “mulher maldita”, a Agda dos palcos é vivida por três atrizes: Alice Possani, Melissa Lopes e Verônica Fabrini. Ao abordar questões fundamentais da existência humana, o trio expõe a vida de uma mulher que rompe tabus e provoca a ira da comunidade onde vive. A peça foi indicada ao Prêmio CPT (Cooperativa Paulista de Teatro) na categoria Melhor Espetáculo do Interior no ano de estreia.

Em cena estão em xeque temas como a finitude da vida e a aparente incompatibilidade entre os desejos do corpo e do espírito, entre o sagrado e o profano, metáforas que induzem à reflexão sobre o mundo contemporâneo, cuja lógica mercantilista e violenta não dá espaço à gentileza e ao cuidado, próprios do feminino. Para isso, a encenação serve-se de elementos de teatro e dança, transitando entre a prosa e a poesia, em um delicado jogo de construção e desconstrução de imagens e personagens.

O elenco representa os personagens masculinos e femininos, personificando as duas energias opostas e complementares que compõem todo ser humano. Porém, o contraponto é da voz feminina, lírica e angustiada de Agda na afirmação de sua singularidade, na demonstração de sua ‘força-não-violenta’, na busca eterna do conhecimento e da transcendência, tornando ainda mais valioso o desafio de montar o texto nos dias atuais.

Agda estreou em março de 2011, durante o evento O Feminino O Verso e a Cena, uma coprodução do Grupo Matulateatro, Boa Companhia, Sesc Campinas e Instituto Hilda Hilst. Desde então, tem circulado por diversos estados brasileiros. A direção é de Moacir Ferraz, membro da Boa Companhia desde 1993 e que em dezembro de 2004 estreou na função de diretor com o mesmo texto, numa adaptação para o grupo Teatro Transitório.

Após a apresentação no Teatro Erotídes de Campos, o público pode acompanhar o bate-papo entre debatedores do 8º Fentepira e elenco da peça. A intenção é discutir os aspectos cênicos da montagem. O trabalho está aos cuidados do professor do Instituto de Artes da Unesp, Alexandre Mate, do curador da oitava edição, Roberto Rosa, e da dramaturga Ana Souto.

O espetáculo Agda integra a programação da mostra oficial do Fentepira, que em 2013 selecionou 10 montagens brasileiras de entre as 217 inscritas de 15 estados. Outras 11 atividades estão na programação, entre peças convidadas e mostra paralela até 10 de novembro, sempre com entrada gratuita, na Praça José Bonifácio, Ponto Arte Garapa, Teatro do Sesi, Teatro Unimep e Colégio Piracicabano.

AS COMPANHIAS – A Boa Companhia atua desde 1992 e tem como proposta a pesquisa da linguagem cênica a partir do trabalho do ator. Com uma arrojada mistura de linguagens artísticas, explora uma zona de fronteira onde se entrelaçam os limites do teatro, da dança, da música, do circo e do audiovisual. Ao longo de sua trajetória, encenou textos que vão de Shakespeare a Qorpo Santo, passando por Nelson Rodrigues e Samuel Beckett, além de adaptações de autores literários como Franz Kafka e Hilda Hilst, sempre buscando provocar uma reflexão sobre as relações humanas e suas consequências no mundo em que vivemos.

O grupo Matulateatro, sediado em Campinas, desenvolve desde 2000 atividades fundamentadas no trabalho do ator e no encontro com o outro, seja com comunidades marginalizadas ou grupos parceiros, em projetos de formação que reúnem atividades artísticas e espaços de reflexão. Os espetáculos, juntamente com oficinas e demonstrações técnicas, vêm sendo realizados em várias regiões do Brasil e no exterior. O encontro com o outro como inspiração para os processos de criação é uma marca do grupo. Do diálogo com coletivos teatrais e artistas parceiros, ao encontro com comunidades, o Matulateatro trabalhou com população de rua, mulheres que vivem em assentamentos rurais, famílias de pequenos circos e refugiados saharawis.

O FESTIVAL – Realizado pela Semac (Secretaria Municipal da Ação Cultural), o 8º Fentepira tem como apoiadores o Sesi Piracicaba, Tusp Piracicaba, Senac Piracicaba, Apite! (Associação Piracicabana de Teatro), Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), Secretaria Municipal de Educação e Centro de Comunicação Social. 

SERVIÇO – 8º Fentepira, com o espetáculo Agda, da Boa Companhia e Grupo Matulateatro. Sábado (9), às 20h, no Teatro Municipal Erotídes de Campos (avenida Maurice Allain, 454, Parque do Engenho Central). Entrada gratuita. A distribuição de ingressos tem início uma hora antes da apresentação. Duração: 100 minutos. Classificação: 18 anos. Mais informações no site http://www.fentepira.com.br, no blog www.fentepira.wordpress.com, pelo Facebook Fentepira Piracicaba ou pelos telefones (19) 3413-5212 e 3413-8526.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s