Confira a entrevista com Fátima Saadi, debatedora do 9º Fentepira

Fatima SaadiDramaturgista do Teatro do Pequeno Gesto e editora da revista de ensaios Folhetim, e da coleção Folhetim/Ensaios, Fátima Saadi confirmou a participação no Fentepira como debatedora dos 10 espetáculos selecionados para a mostra oficial. Ela estará acompanhada do doutor em história pela USP e professor do Instituto de Artes da Unesp, Alexandre Mate, e do curador Roberto Rosa. No bate-papo abaixo, ela descreve sua área de atuação e fala sobre a expectativa para a nona edição do evento, que acontece de 15 a 23 de novembro. Confira.

Você pode citar os últimos festivais e eventos de teatro que participou?
Nos últimos anos, tenho participado, como analisadora de espetáculos, do Festival Internacional Universitário de Blumenau (Fiturb), coordenado por Pita Belli e pensado como articulação entre centros universitários de formação teatral do país e da América Latina. O festival tem um caráter pedagógico bastante nítido e as análises de espetáculos são parte essencial da sua estrutura. Já participei também de outros festivais. Como debatedora estive no Festival Recife de Teatro Nacional e Festival de São José dos Campos; como oficineira fui para Garanhuns e Ouro Preto, e, como jurada, no Festival de Monólogos de Teresina. Com isso, tenho conhecido diferentes realidades da produção universitária e profissional de teatro do país.

Qual a sua expectativa para o 9º Fentepira, a partir da seleção feita pelo curador, Roberto Rosa?
Acho que, a partir da variedade de propostas apresentada pelos espetáculos escolhidos pelo curador do Festival, será possível discutir uma ampla gama de temas ligados à arte teatral e a seus diferentes segmentos (infantil, adulto), formas (sala e rua) e gêneros. Estou feliz também de conhecer espetáculos de diversas cidades, aos quais eu não teria acesso de outro modo.

Quais as contribuições dos debates pós-espetáculos, tanto para os grupos selecionados quanto para o público do Fentepira?
A interlocução entre artistas-criadores e seu público ganha uma nova dimensão durante os debates. É muito importante para a equipe conhecer a variedade de opiniões a respeito do que foi mostrado e o modo pelo qual o espetáculo multiplica seus sentidos ao ser apresentado ao público.
Os debatedores são, digamos, espectadores profissionais, que procuram perceber, compreender e verbalizar as primeiras impressões que o espetáculo lhes causou. Essas primeiras impressões, muitas vezes, não estão claras para os debatedores, elas são uma resposta imediata a um estímulo, mas acredito que sirvam de base a uma reflexão sobre o que foi visto, e que poderá ser refinada a partir daí.
Acredito que a inquietação criativa dos grupos, as questões artísticas que pretendem desenvolver, vão se explicitando ao longo da série de espetáculos que eles já criaram e ainda criarão. Os debates servem para tentar pensar isso: o fio estético que o grupo persegue e que se desdobra ao longo dos seus trabalhos. A conversa sobre o trabalho é, na verdade, uma conversa sobre uma trajetória, focalizada a partir de um dado ponto – o espetáculo apresentado. E se desdobará em outros encontros e em outros espetáculos.

Mais sobre Fátima Saad
Formada em psicologia (PUC-RJ) e em teoria do teatro (Unirio), fez mestrado e doutorado em comunicação e cultura (ECO-UFRJ).
Como tradutora, suas últimas publicações foram Sobre a Fábula e o Desvio, de Jean-Pierre Sarrazac (Teatro do Pequeno Gesto / 7 Letras, 2013); Um Manifesto de Menos, de Deleuze (in: Sobre o teatro, Jorge Zahar Editor, 2010); O Filho Natural, de Diderot (Perspectiva, 2008); Emília Galotti, de Lessing e Pai, de Strindberg (Editora Peixoto Neto, 2007); Lenz/Goethe (7 Letras, 2006); O Teatro é Necessário? (Perspectiva, 2004); A Exibição das Palavras (Teatro do Pequeno Gesto, 2002), ambos de Denis Guénoun; e Os Negros e os Biombos, de Jean Genet (Sette Letras).
Foi professora do Departamento de Teoria do Teatro e do Programa de Pós-graduação em Teatro da Unirio. Lecionou na CAL (1993) e tem participado como debatedora e/ou oficinante de vários festivais nacionais.
Integrou o júri do Prêmio Zilka Salaberry de Teatro Infantil em 2007 e 2008 e fez parte do conselho consultivo da Enciclopédia Virtual de Artes Cênicas do Itaú Cultural (2007-2010). Em 2011 foi indicada na Categoria Especial ao Prêmio Shell e ao Prêmio do site Questão de Crítica, pela edição especial de Folhetim sobre Nelson Rodrigues.
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