Nona edição terá Alexandre Mate como debatedor

Alexandre-Mate-3Pelo quinto ano consecutivo, os espetáculos da mostra oficial do Fentepira terão como debatedor Alexandre Mate, doutor em história social pela USP (Universidade de São Paulo) e professor do Instituto de Artes da Unesp (Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho). Após as apresentações das montagens, ele une-se a Fátima Saadi, dramaturgista do Teatro do Pequeno Gesto, e a Roberto Rosa, curador da nona edição. Antes de sua chegada em terras piracicabanas, Mate destaca, nesta entrevista, a importância do Festival.

Qual a sua expectativa para a mostra oficial desta edição?
Na medida em que não conheço os trabalhos inscritos e a totalidade dos espetáculos selecionados, é bastante difícil opinar sobre o resultado. De qualquer modo, sei que o Roberto Rosa é profissional bastante cuidadoso e criterioso, portanto, é bastante provável que, como sempre, ele tenha selecionado o mais representativo.

Desde a quinta edição, os grupos têm acesso às leituras críticas após os espetáculos, produzidas por você e publicas no blog oficial do Festival, além do caderno Cultura do Jornal de Piracicaba. De que forma elas contribuem para o público e para os grupos selecionados?
Se até pouco tempo vivíamos um tempo de imensos tartamudeios (gagueiras mentais). Tempo em que a potência crítica, na condição de documento de experimentos significativos, vinha sendo suprimida. Hoje a chamada vida espetacularizada, em sociedade administrada, decretou a “falência múltipla dos órgãos” do espírito crítico. Capitaneada por certa imprensa, se indaga dos sujeitos as “opiniões sobre” e os “sentimentos com relação”. Uma leitura crítica, que é um documento sobre alguma experiência humana, pode funcionar, também, como um descortinador de diálogos, de revisitador de senso comum e achismos plantados e naturalizados na vida social.

Propondo uma [contra]paráfrase à obra e mote de Proust, sem dúvida, depois de tanto tempo acompanhando o Fentepira, tenho clareza: encontro-me em situação de viver em tempos de achados!!! Os festivais de teatro são absolutamente importantes para os artistas e público da cidade e da região. Atualmente, os festivais se caracterizam em uma das raras oportunidades de contato com experimentos desenvolvidos no país e fora dele. No caso de festivais como o de Piracicaba e alguns outros, além do contato com as obras – tendo em vista o formato, que concilia apresentação, debate e leitura crítica –, há um contato com o pensar e a possibilidade de interação dialógica concreta com o conjunto de criadores. Criadores das obras podem trocar, ao vivo (e não apenas pelas redes sociais) impressões, vislumbres, achados, sonhos… Tal formato, sem dúvida, apara arestas alienantes e ajuda a vencer toda sorte de casuísmos naturalizados por um viver tão perverso, mediado por algozes camuflados. Tal contato reestabelece tantas míticas e ações cabais de sujeitos que nos anteciparam: de Golias a David, de Prometeu a Zeus, de Zumbi a Domingos Jorge Velho, de Lampião e Maria Bonita aos macacos getulistas, de Jornadas de Julho às Tropas de Elite, da elite, de Zuzu Angel (“Quem é essa mulher…”) aos ditadores civis e militares de tempos obscuros…

Concluindo: é um imenso privilégio poder, junto com artistas, técnicos, público – especializado ou não –, representantes do poder municipal, que mantém o evento, participar desses festivais, que se inserem e fazem história.

Mais sobre Alexandre Mate
Desde 1997 é professor do curso de graduação e de pós-graduação do Instituto de Artes da Unesp São Paulo. Além do título de doutor em história social pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, fez o mestrado em teatro pelo Departamento de Artes Cênicas da ECA (Escola de Comunicação e Artes), na mesma instituição.
Desenvolve, há longos anos, a pesquisa de manifestações do teatro paulista, e, atualmente, mais dedicado ao teatro de rua. Em 2009 participou da criação do Núcleo Paulistano de Teatro de Rua.
Entre os livros de sua autoria está Andaime – Um Jeito de Ser, lançado em 2013, sobre os 25 anos de trajetória do grupo Andaime Teatro, vinculado à Universidade Metodista de Piracicaba.
Dentre os inúmeros espetáculos como diretor estão Apareceu a Margarida, Roberto Athayde; Os Fuzis da Sra. Carrar, Bertolt Brecht; Cala Boca já Morreu, Luís Alberto de Abreu; O Encoberto, Natália Correia; Miss Algrave, Clarice Lispector; Deixa qu’eu Empurro, Perito Monteiro; Baile-Brasil, roteiro adaptado do filme O baile, de Ettore Scola; Salve o Prazer, Zeno Wilde; A Máquina de Somar, Elmer Rice; Maratona Mundial de Dança, texto adaptado e direção; Nenhum Alguém em Lugar Algum, texto adaptado e direção; e Ubu Presidente, Juan Larco, adaptação e direção.
Em 2014 participou do Mirada – Festival Ibero-Americano de Teatro de Santos, do Festival Estudantil da Universidade Federal de São Luís, no Maranhão, e da Semana de Estudos Teatrais: A Força do Teatro de Grupo no Brasil, na capital paulista. No ano passado, também acompanhou o Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre, o Festival Breve Cenas de Manaus e o 1º Encontro Latino Americano de Teatro.
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