‘As Estrelas são para Sempre?’ discute infância e velhice

Grupo Katharsis, de Sorocaba, estará na cidade na sexta-feira - foto Inês Correa
Grupo Katharsis, de Sorocaba, estará na cidade na sexta-feira – foto Inês Correa

A fusão do teatro com a dança, a iluminação e a música. Uma narrativa não-linear sobre a infância, a velhice e a (in)finitude das coisas. Tais ingredientes compõem o enredo do espetáculo As Estrelas são para Sempre?, criado pelo grupo Katharsis, da Uniso (Universidade de Sorocaba), selecionado para o 10º Fentepira (Festival Nacional de Teatro de Piracicaba). A apresentação acontece às 20h de sexta-feira, 13, no Teatro Erotídes de Campos, no Engenho Central. A entrada é gratuita.

A peça aborda o passar do tempo, por meio das transformações da vida: a infância, a vida adulta, a maturidade e a velhice, num jogo imprevisível entre recordações individuais e coletivas. Personagens anônimos são apresentados ao público e falam línguas diferentes, como o inglês, o japonês, o espanhol, o francês e até mesmo os balbucios infantis. Numa estrutura rapsódica, figuras aparecem e desaparecem e habitam um espaço e um tempo sem referência, que só existem enquanto dura a percepção do espectador.

O espetáculo é centrado no trabalho de ator e na confluência de linguagens (teatro, dança, mimo, clown, música e luz), com cenas de humor e lirismo. A direção e o texto é de Roberto Gill Camargo, que desde 2005 optou por deixar de lado o teatro de repertório tradicional para desenvolver uma pesquisa voltada para o teatro não-realista, com textos falados em diversas línguas, tomando por base temas universais tratados com humor e poesia, numa linguagem simbólica, apoiada nos três componentes vivos da cena: o ator, a luz e a música.

As Estrelas são para Sempre? abriu o 9ª Festival Internacional de Teatro de Namur, na Bélgica, em 2013, ocasião que marca a primeira apresentação do grupo no exterior. A peça esteve em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso, na capital paulista, em julho de 2015, depois de uma série de apresentações que incluíram o Fringe (Curitiba), Tenda da USP (SP), Sesc, Sesi e outros teatros. Em 2013, no Festival de Teatro de Blumenau, foram cinco indicações e o prêmio de melhor atroz para Andréia Nhur. O elenco traz Ademir Feliziani, Paola Bertolini e Lucas Donizetti.

TRAJETÓRIA – O Grupo Katharsis foi criado no início dos anos 90, como atividade de extensão da Universidade de Sorocaba. Desde então, foram montadas mais de 20 peças, desde as mais tradicionais (Um Bonde Chamado Desejo, Júlio César, A Casa de Bernarda Alba) às mais experimentais (Endoscopia, Shopstrot, Aves, Ovos e Parafusos, Água, Luz e Clorofila, Astros, Patas e Bananas e As Estrelas são para Sempre?).

Em 2004, ficou em 2º lugar no Mapa Cultural Paulista, com a montagem de Um Bonde Chamado Desejo (também melhor espetáculo na escolha do público, no Festival Rosário Em Cena, no Rio Grande do Sul. Foi contemplado várias vezes pela Linc e ProAC.

Com a montagem de Aves, Ovos e Parafusos, em 2007, ganhou melhor espetáculo e vários prêmios individuais no Festival Nacional de Teatro de Blumenau. Realizou temporadas no Galpão do Folias, Tusp, Unesp-SP e Teatro Commune.

Em 2009, com Astros, Patas e Bananas, recebeu Prêmio da Cooperativa Paulista de Teatro por melhor espetáculo do Interior e Litoral.

O grupo realiza anualmente o Seminário de Teatro Contemporâneo aberto à participação do público e promove espetáculos-conferência (o último foi Fluxus, realizado em 2015, do qual resultou uma revista de 80 páginas contendo artigos inéditos de Patrice Pavis, Alexandre Mate, Christine Greiner, dentre outros).

As montagens do grupo destinam-se a um público que busca formas alternativas de leitura do mundo e da cena contemporânea. Não obstante o caráter experimentalista do coletivo, as montagens têm sido bem recebidas pelo público e pela crítica, no Brasil e no exterior.

DÉCIMA EDIÇÃO – O 10º Fentepira é uma realização da Prefeitura do Município de Piracicaba, por meio da Semac (Secretaria Municipal da Ação Cultural). São parceiros o Sesi, Sesc, Senac, Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), Colégio Piracicabano, Poiesis – Organização Social de Cultura, Ponto de Cultura Garapa, Apite! (Associação Piracicabana de Teatro), CoMCult (Conselho Municipal de Cultura), Associação Cultural e Teatral Guarantã, Jornal de Piracicaba, Revista Arraso, Secretaria Municipal de Educação e Rádio Educativa FM.

Após a apresentação do espetáculo, o público é convidado a se juntar ao grupo para acompanhar os debates com o doutor em história social Alexandre Mate, o ator, diretor e bailarino Aguinaldo de Souza e o ator e professor Valdir Rivaben, também curador do 10º Fentepira, que selecionou ao lado de Jorge Vermelho as 10 peças da mostra oficial, a partir de 253 espetáculos inscritos, de 75 cidades brasileiras, de 14 estados mais o Distrito Federal.

SERVIÇO – Espetáculo As Estrelas são para Sempre?, no 10º Fentepira. Sexta-feira, 13, às 20h, no Teatro Municipal Erotídes de Campos (avenida Maurice Allain, 454, Parque do Engenho Central). Entrada gratuita. A distribuição de ingressos tem início uma hora antes de cada apresentação. Classificação: 12 anos. Duração: 60 minutos. Informações: (19) 3413-5212 e http://www.fentepira.com.br.

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