Perto de 5 mil prestigiam Fentepira em 2011

Em dez dias de programação com o que há de mais conceituado nas artes cênicas do país, o 6º Fentepira registrou público de 4.938 pessoas. A comissão organizadora do evento comemora os números e acredita que eles são reflexo da consolidação do mostra teatral, que aconteceu de 28 de outubro a 6 de novembro.

Realizado pela Prefeitura do Município de Piracicaba, por meio da Semac (Secretaria Municipal da Ação Cultural), o Fentepira teve 26 atrações gratuitas no Teatro Municipal Dr. Losso Netto, Casarão do Turismo da Rua do Porto, Ponto de Cultura Garapa, Cemitério da Saudade, Educomunicamos Ponto de Cultura e Praça José Bonifácio.

Para a abertura, no dia 26, foi convidado a Cia. Teatro da Cidade, de São José dos Campos, com a montagem Um Dia Ouvi a Lua, vencedora do Prêmio Cooperativa Paulista de Teatro de Melhor Espetáculo do Interior de São Paulo e indicada ao Prêmio Shell 2011 de melhor direção musical. Para o encerramento, a Cia. Do Tijolo trouxe Concerto de Ispinho e Fulô, que recebeu o Prêmio CPT pelo projeto sonoro e o Prêmio Shell na categoria Música.

A Secretária Municipal da Ação Cultural Rosângela Camolese ressaltou a importância do Fentepira e destacou o nível dos espetáculos nesta sexta edição. “Foram dez dias de uma programação de altíssima qualidade, em um Festival implantado no início da minha gestão à frente da Secretaria Municipal da Ação Cultural, cujo modelo tem servido como vitrine para a criação de outros projetos culturais. E mais uma vez, o resultado do Fentepira foi bastante positivo, o que nos orgulha profundamente”, afirmou.

Esta foi a primeira vez que Festival teve uma curadoria, assumida por Antônio Chapéu, do Andaime Teatro Unimep. Ele acredita que esta edição superou suas metas ao se transformar num referencial de qualidade, pela diversidade dos espetáculos selecionados e nível técnico das companhias. “A mudança do formato, retirando as premiações e fortalecendo o Festival como mostra, possibilitou a elaboração de uma programação eclética, que atendesse todos os estilos e públicos”, disse.

Chapéu destacou também o envolvimento das entidades parcerias, que auxiliaram na profissionalização do Festival. “Foi uma evolução nítida, que refletiu diretamente no aumento do público, cumprindo um dos papéis principais do Fentepira, que é a formação da plateia”, disse.

Além do fim dos Trofeus-Destaque, o sexto Fentepira teve dois dias a mais de realização e também foi antecipado em quase um mês (até a quinta edição acontecia na última semana de novembro), para não coincidir com o período de provas escolares.

Os espetáculos da mostra principal foram acompanhados por uma comissão debatedora, formada por Alexandre Mate, professor do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (Unesp), e Patrícia Leonardelli, doutoranda em artes, jornalista, bailarina e atriz. Após cada apresentação, eles participaram de debates com as companhias e plateia.

“Cumprimento de maneira bastante esfuziante a seleção dos trabalhos. Foram contemplados diferentes tipos de espetáculos e pesquisas e o conceito de qualidade não se transformou em uma coisa abstrata”, destacou Alexandre Mate, que elogia ainda o interesse da plateia para os debates pós-espetáculos.

Já Patrícia Leonardelli classificou a organização do Festival de Piracicaba como “exemplar”. “Todos os detalhes foram pensados nesta edição, desde a formação do público até a montagem da mostra, que se mostrou eclética e dinâmica. Isso é reflexo do trabalho da curadoria e da comissão organizadora”, apontou ela.

Com a participação de grupos de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Maranhão e Piracicaba, a sexta edição recebeu 168 inscrições de 12 Estados brasileiros. Os trabalhos da mostra principal foram selecionados por Tiche Vianna, Antônio Chapéu e Roberto Rosa. Além da mostra principal, o Festival teve ainda as atividades paralelas Cenas sem Fronteiras, com oficina, exercícios cênicos e sessão de filmes.

Os espetáculos apresentados foram Átridas (Grupo [pH2]: Estado de Teatro), À Meia Noite um Solo de Sax na Minha Cabeça (grupo homônimo), Kabul (Amok Teatro), Primus (Boa Companhia), Nhô Lica – As Aventuras e Desventuras do Capitão Félix do Amaral (Tragatralha Cia. de Teatro), O Miolo da História (Santa Ignorância Cia. de Artes), Canteiro (Cia dos Inventivos) e Sacra Folia (Fraternal Companhia de Arte). Para o público infantil, o Fentepira reservou a peça O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, dos paulistanos do Grupo 59 de Teatr e Histórias por Telefone, da Cia. Delas de Teatro.

Apoiaram a sexta edição a Apite! (Associação Piracicabana de Teatro), Sesi, Senac, Sesc, Tusp Piracicaba, Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) e Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz).

Programa Triálogos

O curador do sexto Fentepira, Antônio Chapéu, e o programador cultural do Teatro Municipal Dr. Losso Netto, Luiz Gustavo Maluf, participaram de um bate-papo com a jornalista Danielle Moura, da TV Unimep, responsável pela apresentação do programa Triálogos.

Confiram abaixo a entrevista, cuja transmissão inédita aconteceu na quinta-feira (3), às 21h, pelo Canal 13 da Net. Para quem quiser assistir na TV, os reprises da semana acontecem nesta segunda-feira (7), às 19h30, e na terça-feira (8), às 12h15.

Premio Shell e CPT encerra Fentepira no domingo

Este slideshow necessita de JavaScript.

O 6º Fentepira terá um consagrado espetáculo para coroar o seu encerramento, às 20h de domingo (6), no Teatro Municipal Dr. Losso Netto. Concerto de Ispinho e Fulô, montagem da Cia. do Tijolo, recebeu o Prêmio CPT (Cooperativa Paulista de Teatro) pelo projeto sonoro e o Prêmio Shell na categoria Música. Em maio deste ano, a trama foi encenada no Festival Assitej, em Copenhagen, Dinamarca.

Com lirismo e simplicidade, o poeta Patativa do Assaré (1909-2002) retratou o homem nordestino e inspirou a Cia. do Tijolo no musical, que também teve como base a pedagogia do oprimido de Paulo Freire. Os espectadores mergulham no universo do poeta como se ouvissem sua biografia em um programa de rádio. Por meio de depoimentos, o elenco relata impressões sobre a produção de Patativa e de como os sertanejos descritos em seus versos poderiam ter nascido em qualquer lugar.

Concerto de Ispinho e Fulô traz à tona a incansável e constante luta do sertanejo pelos direitos igualitários entre os homens, a exaltação à natureza e a sua adorada terra e sua irreverência poética. Este é um espetáculo no qual os espectadores participam como se estivessem no quintal da casa do poeta, tomando café, bebendo cajuína, dando seus depoimentos, fazendo declamações, iluminando a cena e até cantando e dançando.

Quem assina a direção do espetáculo Concerto de Ispinho e Fulô é Rogério Tarifa, diretor da Cia. São Jorge de Variedades, que em 2010 fez a abertura do 5º Fentepira com o espetáculo São Jorge e o Dragão, na Praça José Bonifácio. Tarifa também foi convidado pelo Andaime Teatro para dirigir o espetáculo que comemora os 25 anos do grupo, Kafka e a Boneca Viajante, a partir da obra de Jorge Sierra i Fabra.

Em parceria com cinco atores vindos de grupos como o Ventoforte e a Casa Laboratório para as Artes do Teatro, Tarifa mergulhou no universo poético de Patativa e, principalmente, em suas músicas. A Cia criou um show com músicas compostas a partir da pesquisa e dele resultou o espetáculo.

Apesar de um teatro simples e limpo no cenário – formado por peças de metal trazidas do sertão e também de tijolos – a peça traz sofisticação nas músicas (direção de Willian Guedes) e também nas composições (Jonathan Silva e Dinho Lima Flor), além de uma movimentação em cena harmoniosa, fruto da parceria do grupo com o bailarino contemporâneo Jorge Garcia e com o contato e improvisação da profissional Érika Moura.

Ao optar pela ótica de Paulo Freire para ler o poeta do sertão, a companhia teve como objetivo colocar no palco os extremos entre a genial teoria de Freire – a pedagogia do oprimido – e a situação de analfabetismo e miséria do sertão, que apesar disso pariu artistas como Patativa.

A dramaturgia, criada pela companhia, faz com que o público conheça de fato o poeta, que tenta ser entrevistado por este grupo de artistas. O ator Dinho Lima Flor, que encarna Patativa, faz o público rir com o bom humor o nordestino consegue ter, mesmo quando fala de algo muito sério. As atrizes Lilian de Lima, Karen Menatti e Thais Pimpão se revezam nas engraçadas e femininas mulheres do universo do poeta.

Muitas falas são cantadas e parte do texto é musicado. Rodrigo Mercadante, ator da Escola de Arte Dramática e vindo de uma família de cantores líricos, dá o tom das músicas do espetáculo e do duelo; já que Patativa se nega a simplesmente conversar, mas lhe agrada duelar em poesias que tenham vindo de outro lugar, como a cidade.

A Rádio Conexão SP/Assaré dá notícias, ao vivo, deste diálogo entre o popular e o erudito, o urbano e rural e culmina com a denuncia do 1° ataque aéreo contra civis no país, que não está nos livros de história do Brasil: o massacre do sítio Caldeirão.

Este espetáculo foi contemplado pelo Concurso de Apoio a Projetos de Produção de Espetáculo Inédito da Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Estado de São Paulo através do Programa de Ação Cultural – 2008. A Cia do Tijolo viajou, em 2010, para o Sertão do Cariri, onde, contemplada pelo prêmio Myriam Muniz, se apresentou na terra de Patativa e também na cidade de Paulo Freire.

Grupo Sabadarte encena quatro ‘mini-espetáculos’ em paralela

Este slideshow necessita de JavaScript.

Os alunos do segundo módulo do Curso de Teatro do ETA (Estúdio de Treinamento Artístico), de São Paulo, participam no sábado (5), às 18h, das atividades paralelas Cenas sem Fronteiras do 6º Fentepira (Festival Nacional de Teatro de Piracicaba). Trata-se do grupo Sabatarde, que estará na Sala 2 do Teatro Municipal Dr. Losso Netto para apresentar a Mostra Cênica, com adaptação de quatro espetáculo adultos, com duração entre 15 e 20 minutos cada. A entrada é gratuita.

A primeira apresentação será com duas atrizes de Piracicaba, Bêne Giangrossi e Lívia Spada, acompanhada de Lucas Andrade, Kettly Marinho e Robson Marinho. O elenco encena A Incrível Confeitaria do Senhor Pellica, de Pedro Brício. A peça se passa em uma confeitaria decadente do século 18, quando o proprietário Pellica, sua família, e seus criados passam dificuldades financeiras e pensam numa maneira de salvar seu negócio. Pellica acredita que a salvação virá de um enviado de São Judas. O conde Bellone, credor de Pellica, propõe casamento a sua filha Isabela como forma de pagamento da dívida da confeitaria e anuncia um grande concurso de tortas. Pellica deposita suas esperanças todas no concurso.

Na sequência é a vez de Essa Propriedade está Condenada, de Tennessee Williams, peça que se inicia com o encontro de duas crianças em uma ferrovia. O garoto empina pipa e a menina, determinada, tenta se equilibrar nos trilhos do trem. Ao se apresentarem a menina revela que tem nome de menino e que mora na casa amarela com a placa Esta Propriedade Está Condenada. Willie, conta que recebeu esse nome porque seus pais queriam que ela fosse um menino. Eles já tinham uma menina, a irmã mais velha, Alva. Nesse momento a garota revela ter uma obsessão pela irmã, e naqueles trilhos tenta guiar seus passos. No elenco estão Amanda Cruz, Doug Buriti, Fabiana Lórent, Pedro Almeida e Rosi Viana.

Da obra de Aristófanes, o espetáculo Lisístrata traz a história de mulheres de Atenas, Esparta, Beócia e Corinto, cidades gregas atingidas por uma guerra que já dura 20 anos, chefiada pela ateniense Lisístrata. Cansadas da situação, elas decidem por fim às hostilidades usando de uma tática pouco convencional: uma greve de sexo. A interpretação será com Fernanda Vieira, Keissy Petrilli, Luan Ferreira, Marcela Rangel, Tatiane Resende, Ricardo Saura, Vlamir Paulino e Vanessa Ferola.

Para encerrar a mostra será apresentado o texto de Plínio Marcos, Homens de Papel, escrito em 1968 e até hoje atual. A história se dá em torno de um grupo de catadores de papel, que fomenta uma revolta contra o homem que, ao comprar-lhe o papel coletado pelas ruas, “rouba no peso e no preço”, para revendê-lo, mais tarde, para uma fábrica. Eleva-se, assim, a partir dessa “sociedade” de catadores de papel, uma metáfora do poder pelo poder, que aprisiona explorador e explorado a um sistema desumano de luta pela sobrevivência. São integrantes da peça os atores Carla Plenas, Henrique Tonon, Miriam Ramos, Sol Moraes e Will de Souza e Marcela Rangel.

Os quatro espetáculos contam com direção geral de Poliana Pitteri, supervisão de direção de Daniel Fernandez, produção executiva de Nadir Cefali e Carol Cefali.

Praça José Bonifácio recebe espetáculo do Fentepira no sábado

Tem espetáculo ao ar livre em Piracicaba neste sábado (6). Será às 11h, quando a Praça José Bonifácio se transformará em palco para Sacra Folia, montagem da Fraternal Companhia de Arte e Malas-Artes, que participa do 6º Fentepira (Festival Nacional de Teatro de Piracicaba).

Em Sacra Folia, a Sagrada Família, perseguida por Herodes e seus soldados, se perde em sua fuga para o Egito e acaba chegando ao Brasil. A perseguição continua em solo nacional e a Sagrada Família se vê obrigada a aceitar a ajuda de dois tipos populares, João Teité e Matias Cão, para se livrar de Herodes e retornar à Judéia.

Guiados por Teité, José, Maria e o menino Jesus acabam se embrenhando pelos confins do Brasil. Ao final de extensa e cômica epopéia, Teité registra Jesus como seu filho, para que ele realize no Brasil a promessa do reino de fartura que o Messias, segundo a profecia, haveria de trazer ao mundo.

A peça Sacra Folia será encenada numa carreta de onze metros de comprimento, onde é acoplado um baú, cujas laterais se abrem, revelando um palco de mais de oito metros de largura por quase sete de profundidade. Além do palco e camarim, a carreta também transportará uma cobertura, para abrigar uma platéia de 300 pessoas.

“O palco itinerante é uma tradição do teatro desde a Carroça de Dionísio, passando pelas trupes da commedia dell’arte e, mais recentemente, pela Carroça de Ouro”, diz Ednaldo Freire, diretor da Fraternal Companhia. O texto do espetáculo tem a assinatura de Luís Alberto de Abreu.

Mas, apesar da tradição, a ideia foi fruto da necessidade. É que em 2000 a companhia foi agraciada com o Projeto Cidadania em Cena, da Secretaria de Cultura da Cidade de São Paulo, e passa a ocupar o Teatro Paulo Eiró, o mais importante de Santo Amaro, o que hoje não é mais realidade. “No Paulo Eiró conseguimos formar uma plateia verdadeiramente popular, nunca recuperada após nossa retirarda forçada de lá”, lembra Freire. “A impossibilidade de conseguir um espaço fixo onde pudéssemos dar continuidade ao nosso projeto, nos levou à ideia de um palco itinerante, que desse acesso gratuito ao maior número possível de pessoas.”

A primeira versão de Sacra Folia estreou em 1996 e marcou o início da pesquisa da Fraternal em torno do auto, que é uma forma tradicional e popular de teatro. Esta nova versão incorpora vários elementos da cultura popular pesquisados pela Fraternal, durante os últimos anos, e transformados em material cênico, como a síntese entre os elementos sacro e profano.

A Fraternal Companhia de Arte e Malas-Artes surgiu em 1993, em São Paulo. A companhia, cuja linha de pesquisa é fundamentada na comédia popular brasileira, é dirigida por Ednaldo Freire e tem como dramaturgo constante o prestigiado Luís Alberto de Abreu. Dedica-se ao resgate e recriação de formas tradicionais populares, tais como os autos e as narrativas cômicas, como também desenvolve intensa pesquisa em torno do gesto, da máscara e da interpretação cômica popular.

Fim de semana com peças premiadas

Este slideshow necessita de JavaScript.

Espetáculos premiados em todo o país e aplaudidos pela crítica especializada serão apresentados no fim de semana no 6º Fentepira (Festival Nacional de Teatro de Piracicaba), que teve início em 28 de outubro e segue até 6 de novembro. Grupos de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Maranhão foram selecionados para participar da maratona teatral, que recebeu 168 inscritos de 12 estados e conta com 26 atrações. Todas as atividades possuem entrada gratuita.

Nesta sexta-feira (4), a trupe maranhense Santa Ignorância Cia. de Artes apresenta o espetáculo O Miolo da Estória, às 20h, no Teatro Municipal Dr. Losso Netto. A trama retrata a vida e os sonhos de João Miolo, operário da construção civil e brincante de bumba meu boi. A peça percorreu a 5ª Mostra Sesc Guajajaras de Artes, o 1º Festival de Teatro de Açailândia, a 6ª Mostra Sesc Povos da Floresta, no Macapá, a 6ª Semana de Teatro no Maranhão, o 28º Festival de Monólogos Ana Maria Rêgo (Piauí) e a Mostra Amazônia das Artes.

No sábado (5) tem espetáculo ao ar livre na Praça José Bonifácio. Será às 11h, com Sacra Folia, montagem da Fraternal Companhia de Arte e Malas-Artes com texto de Luís Alberto de Abreu que, entre outros trabalhos, foi o autor do roteiro adaptado da minissérie Hoje é Dia de Maria. A peça faz parte de um projeto de Comédia Popular Brasileira e rendeu a Abreu o prêmio especial da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) em 1996.

Sacra Folia será encenada numa carreta de 11 metros de comprimento, onde é acoplado um baú, cujas laterais se abrem, revelando um palco de mais de oito metros de largura por quase sete de profundidade. A história traz a Sagrada Família, que perseguida por Herodes e seus soldados, se perde em sua fuga para o Egito e acaba chegando ao Brasil.

Para o encerramento do Fentepira, no domingo (6), é a vez de Concerto de Ispinho e Fulô, às 20h no Teatro Municipal. A consagrada montagem da Cia. do Tijolo recebeu o Prêmio CPT (Cooperativa Paulista de Teatro) pelo projeto sonoro e o Prêmio Shell na categoria Música. Em maio deste ano, a trama foi encenada no Festival Assitej, em Copenhagen, Dinamarca.

Concerto de Ispinho e Fulô traz à tona a incansável e constante luta do sertanejo pelos direitos igualitários entre os homens, a exaltação à natureza e a sua adorada terra e sua irreverência poética. A peça é inspirada no universo do poeta Patativa do Assaré e também teve como base a pedagogia do oprimido de Paulo Freire.

CENAS SEM FRONTEIRAS – O 6º Fentepira conta também com a mostra paralela Cenas sem Fronteiras. Às 23h59 desta sexta-feira (4) tem sessão maldita com o Andaime Teatro Unimep, que apresenta A Noiva do Defunto em frente ao Cemitério da Saudade. Comédia portuguesa de domínio público, a peça conta a história de um homem que é confundido com seu primo que acaba de morrer e que era noivo de uma jovem encalhada.

Com 20 vagas, acontece no sábado (5), das 9h às 12h, o workshop gratuito Ator Brincante – Nos Passos do Boi na Sala 2 do Teatro. Os integrantes da Santa Ignorância Cia. de Artes vão demonstrar e experimentar a criação de personagens e cenas teatrais a partir de estímulos físicos e sonoros do bumba meu boi do Maranhão. As inscrições são aceitas pelo e-mail oficinafentepira@hotmail.com (mencione nome completo, endereço, idade, RG e telefones para contato).

Ainda no sábado, às 18h, os alunos do segundo módulo do Curso de Teatro do ETA (Estúdio de Treinamento Artístico) participam na Sala 2 do Teatro Municipal da Mostra Cênica, com adaptação de quatro espetáculo adultos, com duração entre 15 e 20 minutos cada.

O 6º Fentepira é uma realização da Prefeitura do Município de Piracicaba, por meio da Semac (Secretaria Municipal da Ação Cultural). São apoiadores a Apite! (Associação Piracicabana de Teatro), Sesi, Senac, Sesc, Tusp Piracicaba, Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) e Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz).

Trupe maranhense expõe histórias de homem brincante de bumba meu boi

Este slideshow necessita de JavaScript.

Vem de São Luís, capital do Maranhão, o espetáculo que será apresentado nesta sexta-feira (4) no 6º Fentepira. Trata-se do solo teatral O Miolo da História, concebido pela Santa Ignorância Cia. de Artes. Com entrada gratuita, a encenação acontece às 20h no Teatro Municipal Dr. Losso Netto.

Embora seja um solo, a peça não é um monólogo. No palco, Lauande Aires interpreta cinco personagens: João Miolo, Nego Chico, Cazumba, Amo de Boi e Curandeiro. Ele explica que essa é uma montagem que prioriza, entre outras linguagens cênicas, a fotografia, construída com criatividade, racionalidade e labor, encenada primeiramente no palco italiano.

No enredo, a vida e os sonhos de João Miolo movem a trama. Operário da construção civil e brincante de bumba meu boi, ele tem uma vida comum a tantos outros operários: casa humilde, vida sofrida e uma enorme solidão. Mas em meio a tudo isso, João sustenta o desejo de ainda vir ser cantador no boi onde brinca e ocupar uma posição de destaque na vida.

O drama de João começa quando, não sendo aceito como cantador, decide não sair na boiada daquele ano. Revoltado, ele vai trabalhar embriagado e acaba machucando-se, precisando refazer os votos com o santo para não perder a perna. O espetáculo apresenta o homem em conflito com a fé e suas relações sociais.

O Miolo da Estória é uma obra de ficção baseada em leitura, observação e depoimentos de brincantes, que traz em síntese os conflitos de um homem pobre diante da exploração sofrida no ambiente de trabalho e no espaço do divertimento.

A dramaturgia do espetáculo foi elaborada com base em referencial teórico de importantes pesquisadores da cultura popular, na observação e depoimento de brincantes, em especial, o brincante que manipula o boi, ou seja, o miolo do boi.

Foi estruturada de acordo com o roteiro principal do auto do bumba meu boi formado por Guarnicê (preparação dos brincantes); Lá vai (aviso ao dono da casa de que o boi vai brincar); Licença (toada de permissão); Urrou (sacrifício e ressurreição do boi); despedida (fim da apresentação).

As cenas acontecem dentro, e em volta, de um espaço circular com quatro metros de diâmetro, em referência a própria circularidade do auto e do terreiro de apresentações. Os objetos comuns ao boi e à obra são resignificados, adquirindo uma outra dimensão simbólica. Neste aspecto, a casa de João Miolo é representada por uma escada em formato cavalete medindo 2,20 metros, onde também são colocados uma pá, uma enxada, um tamborito e três capacetes.

Em outra cena, a mesma escada é transformada em uma bicicleta através da manipulação de uma pá e duas peneiras de areia. Na cena final é transformada na escadaria da igreja de São Pedro para o pagamento da promessa. Seguindo a mesma referência, seis latas de tintas funcionam como sofá, cama e parede da obra. Capacetes são utilizados em sua função natural e transformados em adereços dos baiantes.

A colher de pedreiro, símbolo da própria força de trabalho, funciona também como maracá (instrumento de percussão do mandante do cordão) e como colher de sopa. Uma lanterna é uma vela, uma enxada é um cajado de uma entidade, e um carro de mão é ao mesmo tempo altar e boi.

A música da cena, composta especialmente, funciona como um personagem narrador na forma de toadas e como efeitos construídos a partir de células e instrumentos percussivos. O figurino remete ao homem-operário no espaço de trabalho, porém influenciado ao estilo de indumentária do boi, a exemplo da calça que é uma reprodução da veste do Rajado, as jaquetas embasadas na veste do Chico e a capa de chuva que serve como veste do Cazumba. O uso de bordados de canutilhos em miçangas aplicados à máscara de soldador e capacetes, re-significam personagens como Cazumba e Amo.

A ideia inicial da montagem aconteceu em 29 de junho de 2009, enquanto os atores da Santa Ignorância Cia. de Artes participavam da tradicional boiada no largo de São Pedro, onde dezenas de grupos de bumba meu boi brincavam em homenagem ao santo. Em meio à multidão que dançava, batucava, rezava e bebia, os atores presenciaram a chegada de um novo boi, sotaque da baixada, e uma cena impressionante: o miolo do boi subia lentamente de joelhos os 47 degraus da igreja com seu boizinho nas costas num choro incontrolável, até chegar aos pés do santo no interior da igreja. Desde então, o grupo começou a questionar: quem é esse anônimo que faz o boi? Qual sua estória, seu sonho, sua vida? Que dívida com o santo ele esteve a pagar naquela boiada?

O espetáculo O Miolo da Estória teve sua estreia em 2010 e desde então percorreu a 5ª Mostra Sesc Guajajaras de Artes, em São Luis, o 1º Festival de Teatro de Açailândia, no Maranhão,a 6ª Mostra Sesc Povos da Floresta, no Macapá (Amazonas), a 6ª Semana de Teatro no Maranhão, o 28º Festival de Monólogos Ana Maria Rêgo, em Teresina (Piauí) e a Mostra Amazônia das Artes.

A companhia – A Santa Ignorância Cia. de Artes é uma entidade de produção artística que surge no cenário cultural em 1997. A cia. subdivide-se em duas frentes de pesquisa sendo, direcionada para a o desenvolvimento das capacidades técnicas do ator/dançarino e a montagem de espetáculos adultos e infantis, e outra, para a pesquisa do movimento e dança contemporânea. Suas principais características são os processos de direção colaborativa, montagens com diretores convidados e criação de espetáculos solos, resultados dos processos individuais que se desenvolvem a partir do trabalho coletivo. Hoje a Santa Ignorância, é formada pelos artistas Adeílson Santos, César Boaes e Lauande Aires.

Cemitério é palco de sessão maldita com o Grupo Andaime

Em 1º de setembro deste ano, no 17º Pirateatrando, o Andaime Teatro Unimep levou aproximadamente 300 pessoas para a frente do Cemitério da Saudade, em Piracicaba. A proposta: provocar risos da plateia com a comédia A Noiva do Defunto. A ideia deu certo, a repercussão foi positiva e a cena se repetirá em novembro, desta vez como parte das atividades paralelas Cenas sem Fronteiras do 6º Fentepira. A chamada “sessão maldita” acontece às 23h59 de 4 de novembro.

Comédia portuguesa de domínio público, a peça conta a história de um homem que é confundido com seu primo que acaba de morrer e que era noivo de uma jovem encalhada. A confusão está formada.

Misto de farsa e melodrama, o texto foi gentilmente cedido, ao grupo, pela família do Circo Piranha, por meio de Luís Jóia Ramos, o palhaço Serelepe. A montagem – cuja estreia ocorreu em 2006 – foi desenvolvida dentro do universo do circo-teatro, aproveitando uma pesquisa iniciada pelo grupo, em 2003, que resultou na criação da peça Comovento. Fascinado pelo mundo circense, o Andaime retoma a pesquisa para provar, mais uma vez, que o circo está presente dentro de nós.

O grupo Andaime Teatro completa, em 2011, 25 anos de trajetória. Com diversos prêmios no currículo e também apresentações internacionais, o grupo recebeu recentemente a notícia de que o espetáculo A Noiva do Defunto está concorrendo ao Prêmio CPT (Cooperativa Paulista de Teatro) como Melhor Trabalho Apresentado em Rua no primeiro semestre de 2011.

Esta será a terceira apresentação de A Noiva do Defunto no Cemitério da Saudade (a primeira foi em 2009). A secretária da Ação Cultural, Rosângela Camolese, destaca que a ideia de realizar atividades no espaço parte de um conceito de ressignificação do local. Entre as ações estão o Encontro Nacional de Estudos Cemiteriais, que este ano chega à quinta edição na cidade, e exposições de fotografias, pinturas e esculturas, além de apresentações musicais e da Semana de Estudos Cemiteriais, ocorrida sempre na semana de Finados.

“O Cemitério da Saudade é um dos mais antigos em atividade no Estado de São Paulo. A intenção é aproveitar sua revitalização, promovida recentemente pela prefeitura, para rememora-lo e ratifica-lo como ponto de atração turística e da memória”, diz Rosângela, que participou, em 2009, do 10º Encontro Ibero-Americano de Cultura, em Medellín, na Colômbia, onde mostrou o exemplo de Piracicaba aos demais países participantes do congresso.

Tragatralha encena aventuras do lendário Nhô Lica

A Tragatralha Cia. de Teatro apresenta no 6º Fentepira (Festival Nacional de Teatro de Piracicaba) o espetáculo Nhô Lica – Aventuras e Desventuras do Capitão Félix do Amaral, às 20h de quinta-feira (3), no Teatro Municipal Dr. Losso Netto. A entrada é gratuita.

A história de Nhô Lica vagueia entre o real e o imaginário, num mundo de sonhos permeado pelo realismo fantástico em que pedregulhos, cacos de vidro, lascas de ferro, tudo o que brilhasse enfim, eram pedras preciosas de inestimável valor. O conflito se dá quando o universo de sonhos se choca com o mundo do cotidiano, considerado real.

A peça é de muita ação, com cenas rápidas: uma proposta de teatro explícita onde quatro atores se revezam em diversos personagens num exercício intenso de troca de características, figurinos e cenários, aproximando o público do ato de representar, já que o jogo teatral e suas funções são propostos desde o início da primeira cena. A montagem é destinada ao público adulto, mas tem a classificação indicativa livre para todos os públicos.

Nascido Felix do Amaral Mello Bonilla, Nhô Lica morreu em 18 de junho de 1954, aos 92 anos, no Asilo de Velhice e Mendicidade, depois de passar décadas garimpando pedregulhos nas ruas da cidade de Piracicaba. Como um Dom Quixote dos nossos tempos, Nhô Lica com sua inseparável bengala, também enfrentou os seus “Moinhos de Vento”.

Filho de uma família antiga e tradicional, ninguém nunca soube da origem do seu desequilíbrio mental, nem do pseudônimo. Ele criou para si e viveu em um mundo imaginário, em que pedregulhos eram pedras preciosas.

A lenda diz que ele foi atingido por um raio, outros disseram que foi um touro bravo num pasto… Figura marcante, romântica, ele sonhou com montanhas de esmeraldas, diamantes e rubis, viveu as mais eletrizantes aventuras, enfrentando índios e facínoras. As origens dos sonhos perdem-se nos tempos, mas os sonhos não…

Pirateatrando – A montagem da Tragatralha – que tem texto e direção de Carlos ABC – foi a única da cidade de Piracicaba a garantir uma vaga na mostra oficial do Festival, sendo que a definição aconteceu durante o 17º Pirateatrando, que funciona também como seletiva para os grupos locais que desejam participar do Fentepira. Por isso, os espetáculos foram assistidos por uma comissão de seleção, composta por Antônio Chapéu (Andaime Teatro), Roberto Rosa (Cia. de Teatro Fábrica) e Tiche Viana (Barracão Teatro). Pelo regulamento, até três espetáculos poderiam ser escolhidos.

Para Antônio Chapéu, o maior peso para a escolha de Nhô Lica foi a força da pesquisa em torno de um elemento cultural da cidade. “É um item que cativou toda a comissão, mas que também é recorrente em outros festivais. A Tragatralha conquistou vantagem por conta da pesquisa, que reforça a cultura local”, analisa Chapéu, enfatizando também que a comissão seletiva se sensibilizou com o caráter de teatro popular que a montagem possui.

Da mesma forma analisou Tiche Vianna, ao lembrar que a Tragatralha trouxe para o palco elementos que pertencem à cultura piracicabana e valorizou também a alegoria e o aspecto que ela define como “brincante”. “Não é apenas a questão da história, mas um modo de relacionar que nos deu um panorama de uma característica específica da cidade”, detalha. Outro aspecto destacado por Tiche é a apropriação da linguagem. “O grupo utiliza todos os elementos que caracterizam o teatro popular. Apesar de estar no palco, o elenco preserva uma relação direta com o público, quebrando assim a quarta parede.”

Na análise de Roberto Rosa, a Tragatralha apresenta um espetáculo de consistência. “A originalidade do tema, a presença do ator cômico e a coerência nos elementos utilizados em cena contribuíram para a criação de um espetáculo envolvente e divertido”, analisa.

Cia. Delas apresenta infantil Histórias por Telefone

Este slideshow necessita de JavaScript.

Caranguejos cor de laranja que querem andar para frente, sapos saltitantes de luvas verde-limão, um telefone tipo orelhão de rodinhas que desliza pelo palco, um carrossel mágico e telefonistas tagarelas. Estas pequenas situações resumem o enredo de Histórias por Telefone, espetáculo da Cia. Delas de Teatro para crianças e adolescentes que tem encenação na quinta-feira (3), no Teatro Municipal Dr. Losso Netto, às 10h, com entrada gratuita. A atração integra o 6º Fentepira (Festival Nacional de Teatro de Piracicaba).

No palco, seis pequenas histórias bem-humoradas, repletas de fantasia e delicadeza, contadas a partir de telefonemas de um pai a sua filha. Representante comercial, o Senhor Bianchini passa seis dias por semana viajando pelo país para vender medicamentos. Acontece que sua filha só dorme depois de ouvir o pai.

Então, toda noite, onde quer que ele esteja, às 9h em ponto, telefona para lhe contar um caso inventado. Mas não é só ela que aguarda ansiosamente o telefone tocar. Do outro lado da linha, quatro curiosas telefonistas – responsáveis pela transferência da linha – acompanham tudo em segredo, prontas para se ligar em mais uma aventura do pai Bianchini.

São sempre episódios curtos, pois falar ao telefone é caro. E o Senhor Bianchini não falha! Em 55 minutos, o espetáculo propõe ao público uma viagem pelas divertidas, lúdicas, inusitadas e fantásticas narrativas contadas pelo pai. A cada dia mais uma nova história para sua imaginação.

A peça tem texto livremente inspirado em Fábulas por Telefone, de Gianni Rodari (1920-1980), o maior escritor italiano para crianças do século 20. Também professor e jornalista, é autor de uma obra fantástica, extremamente criativa, tradução poética de uma pedagogia moderna e progressista. Rodari ganhou vários prêmios literários importantes, entre eles, em 1970, o Prêmio Andersen, considerado como o Nobel da literatura infantil.

Histórias por Telefone propõe um jogo cênico cheio de desdobramentos. As atrizes se revezam em cena assumindo diferentes papéis em cada história, compondo e construindo cada uma delas como em uma coreografia dinâmica e lúdica. Também permeia a peça o non-sense, uma das características da Cia Le Plat du Jour, e gosto e identidade da diretora. Além disso, as próprias histórias de Gianni Rodari já têm um lado anárquico e imagético.

Sobre a diretora
Carla Candiotto fundou, em 1991, em Paris, a Cia Le Plat Du Jour, com Alexandra Golik. Hoje dá aulas de interpretação teatral na escola Teatro Escola Célia Helena e no Centro de Formação Profissional em Artes Circenses Cefac.

Começou sua carreira na Europa, onde estudou com Philippe Gaulier, Monika Pagneux, Arianne Mnouskine (Théâtre du Soleil), John Wright, Desmond Jones, Frank Armstrong e grupos de Teatro Físico: Théâtre de Cumplicité e The Right size. De 1993 a 1998, na Inglaterra, trabalhou com a Cia Théâtre Sans Frontieres. Em Paris, atuou com a Cia Fleur de Peau e com a Cia Paris 21.

Além de ter trabalhado durante sete anos no Programa Doutores da Alegria, ela atuou no longa-metragem Bens Confiscados, dirigido por Carlos Reichenbach.

Sobre a Cia Delas
A Cia. Delas de Teatro foi criada por um grupo de atrizes em 2001, numa tarde de verão e quarta-feira, entre uma aula e outra, no Teatro Escola Célia Helena, em São Paulo. De lá pra cá, desenvolveram estudos e pesquisa teatrais; se reuniram para falar da vida alheia (com frequência); e, nas horas vagas, cultivaram peças e um canteiro cheio de personagens.

A companhia tem um repertório diversificado (encenações para os públicos adulto e infantil) e conta com espetáculos premiados como Quase de Verdade, inspirado na obra de Clarice Lispector, dirigido por Ulisses Cohn, e Burundanga, de Luis Alberto de Abreu, levado à cena por Nelson Baskerville. Do drama à comédia, de farsas a tragédias, a Cia. Delas se interessa por tudo o que está vivo, se mexe e pode acontecer num palco. Entre os prêmios, destaque para o Coca-Cola Femsa De Teatro, Prêmio Panamco no Teatro, Prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte).

Espetáculo Primus reflete sobre a espécie humana

Este slideshow necessita de JavaScript.

Refletir sobre o gigantesco percurso da evolução humana. Este é o mote do espetáculo Primus, baseado na obra do escritor tcheco Franz Kafka (1883-1924). A montagem da Boa Companhia, trupe de artes cênicas sediada em Campinas, estará em cartaz no Teatro Municipal Dr. Losso Netto nesta quarta-feira (2), às 20h, como parte da programação do 6º Fentepira.

Baseado no conto Comunicado para uma Academia, de Franz Kafka, datado de 1917, o espetáculo tem direção de Verônica Fabrini e conta a história de um macaco que, para garantir seu lugar ao sol, aprendeu a ser homem e tornou-se um pop-star do teatro de variedades. Os atores, ora feras amestradas, ora amestradores, cantam, tocam e sapateiam. Afinal, todos precisam de um lugar ao sol. Enquanto ainda há sol.

O conto, escrito na primeira pessoa pelo personagem-narrador, em forma de um relato, narra a história de um macaco que após ser caçado e capturado consegue transformar-se em humano e relata a uma academia de ciências como aprendeu a falar e comportar-se como gente. Só que, no caso, comportar-se como um humano significa aprender a cuspir, fumar e se embriagar – comportamento que o personagem aprende às custas de queimaduras e chicotadas.

Duas alternativas de sobrevivência lhe são oferecidas: o jardim zoológico ou o show business (teatro de variedades); ele escolhe o show business. Questões filosóficas relativas à superioridade do ser humano frente à natureza, os limites entre natureza e cultura, a necessidade de submissão e consequente perda da liberdade para fazer parte do show da “civilização”, o humano como reino da necessidade e não da liberdade, são alguns dos instigantes questionamentos trazidos pelo conto.

A encenação de Primus inscreve-se no que tem sido chamado de teatro físico, uma vez que a aproximação do conto parte de uma perspectiva fortemente centrada no trabalho corporal. No entanto o grupo lança mão também de recursos visuais de projeção de imagem, do canto e da percussão ao vivo.

A base gestual tem como ponto de partida o estudo das estereotipias de primatas em cativeiro, através de observações no Zoológico de São Paulo. O trabalho vocal parte da linguagem não articulada, caminhando para a palavra, as canções do music-hall até a alta codificação do canto lírico.

As imagens que compõem parte do cenário procuram captar as dissonâncias entre a harmonia do mundo natural versus a desarmonia do mundo civilizado. A percussão busca nos ritmos primitivos africanos e no trabalho de livre improvisação, a construção de climas sonoros que ora conduzem a cena, ora oferecem apenas uma sustentação rítmica à ela.

O único objeto cênico utilizado pelos atores é um bastão de madeira rústico (quatro bastões), que por sua versatilidade prática e simbólica é utilizado como arma, como grades da jaula (há um encaixe nas caixas de madeira para os bastões), como cajado, etc.

A Boa Companhia - Nascida na Unicamp (Universidade de Campinas), a Boa Companhia tem 19 anos de trajetória bem-sucedida – com prêmios conquistados no Brasil e no exterior. A título de exemplo, o espetáculo Primus foi apresentado no Festival Internacional Arena-02, em Erlangen, na Alemanha, e já passou por Portugal.

Tendo como proposta a pesquisa da linguagem cênica a partir do trabalho do ator, a Boa Companhia é formada por profissionais da área teatral dispostos não só a apresentar suas montagens teatrais e performances, como também trabalhar junto a empresas, escolas e outras instituições na área educacional (cursos e oficinas de montagens) e de entretenimento.

Com este intuito, vem norteando a sua atuação através da pesquisa, intercâmbio e a férrea vontade de expandir os horizontes através da arte. Exibe um currículo eclético, com montagens que vão de Shakespeare a Qorpo Santo, passando por Nelson Rodrigues, Samuel Beckett além de adaptações de textos literários de autores como Guimarães Rosa.

Ceta encena O Ferreiro e a Morte na Sala 2

Este slideshow necessita de JavaScript.

Um título sugestivo para a véspera de feriado dedicado aos mortos. O Ferreiro e a Morte, espetáculo da Ceta (Companhia Estável de Teatro Amador de Piracicaba), ganha apresentação em 1 de novembro, às 22h, na Sala 2 do Teatro Municipal Dr. Losso Netto, como parte das atividades paralelas Cenas sem Fronteiras do Fentepira 2011.

Fábula cômica de origem medieval, a peça foi adaptada para o teatro pelos autores uruguaios Mercedes Rein e Jorge Curi. Nesta versão, tem como diretores Ricardo Araújo e João Scarpa.

O espetáculo possui uma comunicação direta com o público, pois, apresenta em seu enredo personagens arquétipos, figuras conhecidas da cultura popular, como São Pedro, a Miséria, Jesus Cristo, o diabo e os governantes.

A fábula narra a história do ferreiro Miséria, que após a visita de Nosso Senhor e São Pedro é agraciado com três desejos. Astuto, ele pede para sempre ganhar no jogo, para ter uma hora a mais de vida quando a morte vier lhe buscar e para quem subir em seu banquinho fique preso até que ele solte.

Esse último desejo, que é censurado pela sua irmã Pobreza, faz com que ele prenda a Morte no seu banco. A partir daí, o céu e o inferno são envolvidos em um emaranhado de interesses antagônicos.

A peça nada mais é do que um exercício de reflexão, com humor e ironia, utilizando-se de um jogo em que se confrontam a arrogância dos nobres e a astúcia dos humildes, sugerindo uma luta entre os generosos e mesquinhos. É precisamente esta luta que faz da peça uma obra clássica que permite uma leitura diferente, de acordo com a realidade que está vivendo no momento.

A peça estreou em novembro de 2008, com a participação de parte do elenco da Ceta e apresentações em diversos bairros da cidade, além de temporada na Sala 2 do Teatro Municipal no ano 2009. Com a finalidade de manter o espetáculo no repertório, a montagem ganhou, em 2010, uma nova roupagem, e segue sua trajetória em 2011, agora com todos os integrantes da companhia. Esta versão se aproxima ainda mais da linguagem popular e busca maior aproximação com espectador.

O elenco é composto por Alexandre Bastos, André Pedroso, Christiany Cordel, Daiane Silva, Giovani Costa, Joyce Pereira, Juliana Gerage, Julio dos Santos, Patrícia Borges,Robson Gaudêncio, Silvana Piacentini, Willian Barbon, Andrea Souza, Camila Pires, Kaline Volpato, Rafael Barbosa, Matheus Dias, Élcio Lopes, Felipe Trevelin, Gabriel Mendes, Gabriela Torres, Iolanda Carla, Letícia Ferraz Nayara Rocha, Raphael Constanttino, Sandra Santos, Zen Endill, Bruno Parisoto e Guilherme Xavier.

Energia elétrica é restabelecida e Teatro volta a sediar atrações do Festival

 

O espetáculo O Ferreiro e a Morte, da Ceta. Foto de Giancarlos Martins

O espetáculo O Ferreiro e a Morte, da Ceta. Foto de Giancarlos Martins

 

Depois de dois dias sem energia elétrica, devido a um forte temporal que atingiu Piracicaba na noite de sábado (29), o Teatro Municipal Dr. Losso Netto reabre suas portas para a programação do 6º Fentepira (Festival Nacional de Teatro de Piracicaba).

O espetáculo que marca a “retomada” é Kabul, do grupo carioca Amok Teatro, às 20h desta terça-feira, 1º de novembro. Meia hora antes da realização do espetáculo, o público será recepcionado no hall do Teatro Municipal Dr. Losso Netto com o grupo Forfezinho e a segunda parte de seus Exercícios Cênicos, a partir de cenas da peça Eles Não Usam Black Tie, a primeira montagem de Gianfrancesco Guarnieri, de 1958.

As 22h, a Casa de Espetáculos vai abrigar a encenação de O Ferreiro e a Morte, da Ceta (Companhia Estável de Teatro Amador de Piracicaba) em cartaz na Sala 2 como parte das atividades paralelas Cenas sem Fronteiras.

Por causa das chuvas e a queda de energia, a programação do Fentepira sofreu alterações no fim de semana. O temporal começou na cidade quando o espetáculo Átridas, do grupo [pH2]: estado de teatro estava em cartaz no Municipal, mas foi possível sua encenação até o fim. Já sem energia elétrica, o Teatro abrigou o debate com elenco, comissão debatedora e plateia.

O espetáculo das 22h de sábado (29), Vereadas da Salvação, com alunos do curso técnico em ator do Senac, deixou de ser apresentado na Sala 2. Também a oficina com os integrantes do [pH2]:estado de teatro, prevista para a manhã de domingo (30) foi cancelada, assim como a apresentação do Grupo Antropofocus, às 20h do mesmo dia, com Contos Proibidos de Antropofocus.

Ainda sem energia elétrica no Teatro na segunda-feira (31), a comissão organizadora do Festival transferiu a apresentação de O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá (Grupo 59 de Teatro) para o Teatro Popular do Sesi, instituição parceira do Fentepira. Embora fosse grande a expectativa de normalidade ainda na segunda-feira, À Meia Noite um Solo de Sax na Minha Cabeça foi encenado às 20h também na Vila Industrial.

A comissão organizadora do Fentepira agradece ao apoio dos profissionais do Sesi Piracicaba e reforça que trabalhou incansavelmente para fazer os ajustes necessários. Os integrantes da comissão pedem ainda desculpas aos frequentadores do Festival por quaisquer possíveis transtornos e a agradece ao mesmo tempo a compreensão de todos.

A distribuição de ingressos segue os mesmos critérios e a bilheteria do Teatro Municipal (avenida Independência, 277, Centro) estará em funcionamento a partir das 18h.

O Festival continua! Aproveite!

1º de novembro

19h30 | Teatro Municipal Dr. Losso Netto – hall
Exercício cênico – Cena 2, com o grupo Forfezinho

20h | Teatro Municipal Dr. Losso Netto – Sala 1
Espetáculo Kabul – Grupo Amok Teatro

22h | Teatro Municipal Dr. Losso Netto – Sala 2
Apresentação de O Ferreiro e a Morte, com a Ceta

2 de novembro

19h30 | Teatro Municipal Dr. Losso Netto – hall
Exercício cênico – Cena 3, com o grupo Forfezinho

20h | Teatro Municipal Dr. Losso Netto
Espetáculo Primus – Boa Companhia

3 de novembro

10h | Teatro Municipal Dr. Losso Netto – Sala 1
Espetáculo Histórias por Telefone – Cia. Delas de Teatro

19h30 | Teatro Municipal Dr. Losso Netto – hall
Exercício cênico – Cena 4, com o grupo Forfezinho

20h | Teatro Municipal Dr. Losso Netto
Espetáculo Nhô Lica – As Aventuras e Desventuras do Capitão Félix do Amaral – Tragatralha Cia. de Teatro

4 de novembro

19h30 | Teatro Municipal Dr. Losso Netto – hall
Apresentação do Maracatu Casa, com Tony Azevedo

20h | Teatro Municipal Dr. Losso Netto – Sala 1
Espetáculo O Miolo da Estória – Grupo Santa Ignorância Cia. de Artes

23h59 | Cemitério da Saudade
Apresentação de A Noiva do Defunto, com o Andaime Teatro Unimep

5 de novembro

Das 9h às 12h | Teatro Municipal Dr. Losso Netto – Sala 2
Workshop O Ator Brincante, com a Santa Ignorância Cia. de Artes

11h | Praça José Bonifácio
Espetáculo Sacra Folia – Fraternal Companhia de Arte e Malas-Artes

18h | Teatro Municipal Dr. Losso Netto – Sala 2
Mostra Cênica, com o ETA (Estúdio de Treinamento Artístico)

6 de novembro

20h | Teatro Municipal Dr. Losso Netto – Sala 1
Espetáculo Concerto de Ispinho e Fulô – Cia. Do Tijolo

Endereços

Teatro Municipal Dr. Losso Neto
Av. Independência, 277, Centro
Rua Gomes Carneiro, 1212, Centro

Casarão do Turismo da Rua do Porto
Av. Beira Rio, 1433

Ponto de Cultura Garapa
R. Dom Pedro 2º, 1313, Bairro Alto

Cemitério da Saudade
Avenida Piracicamirim, s/nº, bairro Piracicamirim

Educomunicamos Ponto de Cultura
Rua Trezes de Maio, 449, Centro

Praça José Bonifácio, Centro

Informações:

Telefone: (19) 3433-5952 | Site oficial: www.fentepira.com.br
Blog: www.fentepira.wordpress.com | Facebook: Fentepira Piracicaba
Twitter: @fentepira (Twitter) |  E-mail: fentepira@piracicaba.sp.gov.br
Inscrições para oficinas: oficinafentepira@hotmail.com
Assessoria de imprensa:
(19) 9147-5733 (Rodrigo Alves)
(19) 9108-4322 (Valéria Rodrigues)

Workshop Ator Brincante recebe inscrições por e-mail

Demonstrar e experimentar a criação de personagens e cenas teatrais a partir de estímulos físicos e sonoros do bumba meu boi do Maranhão é o que farão os participantes do workshop Ator Brincante – Nos Passos do Boi, ministrado pelo ator do Grupo Santa Ignorância Cia. de Artes, Lauande Aires. Com 20 vagas, a oficina acontece no sábado (5), das 9h às 12h, na Sala 2 do Teatro Municipal Dr. Losso Netto, como parte das atividades paralelas Cenas sem Fronteiras do Fentepira.

Os interessados em participar da oficina, que é totalmente gratuita, devem enviar e-mail para oficinafentepira@hotmail.com, mencionando no corpo do e-mail nome completo, endereço, idade, RG e telefones para contato.

Conceitos de expressividade dos grupos de bumba meu boi maranhenses, o trabalho com as pernas, pés, quadril, tronco e cabeça, além da dramaturgia, estão no conteúdo da aula de Lauande Aires, que protagoniza o espetáculo O Miolo da Estória, atração na mostra principal do Fentepira às 20h de sexta-feira (4), também no Teatro Municipal. Também como parte do workshop, Lauande vai despertar o desenvolvimento de cenas a partir de personagens e energias catalogadas no trabalho expressivo.

Ator, dramaturgo, compositor e diretor teatral, Lauande Aires é maranhense de São Luís. Desde 1999 atua profissionalmente em teatro, hoje ele faz o curso superior em teatro na Universidade Federal do Maranhão e dedica-se à pesquisa O Tradicional na Cena Contemporânea. Aires foi diretor do Teatro Alcione Nazareth, localizado no centro histórico de São Luís, e também um dos organizadores da Semana do Teatro no Maranhão.

O espetáculo O Miolo da História surgiu em 2010, um ano após a participação de uma tradicional boiada no largo de São Pedro que despertou nos integrantes da Santa Ignorância Cia. de Artes a vontade de contar a história dos brincantes anônimos que dão vida às personagens do bumba meu boi: caboclos reais, cazumbas, caaporas, Chico, Catirina. Porém todos, ainda que mascarados ou paramentados, são personagens.

Kabul expõe faces de guerra afegã

Este slideshow necessita de JavaScript.

Expor as faces da guerra, apresentar personagens que estão em busca de dignidade e trazer para o palco o retrato do Afeganistão é o que faz o grupo carioca Amok Teatro com Kabul, espetáculo selecionado para o 6º Fentepira que será encenado com entrada gratuita no Teatro Municipal Dr. Losso Netto, às 20h de 1º de novembro.

Estreada em 2009, a trama recebeu o Prêmio APTR (Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro) na categoria especial para a música, executada ao vivo com instrumentos persas e afegãos.

Com Kabul, o elenco do Amok Teatro mergulha num Afeganistão traumatizado por 20 anos de guerras e entregue à tirania dos fundamentalistas. O espetáculo traz quatro faces da guerra, quatro retratos de um Afeganistão visto de dentro das casas, por detrás das cortinas e dos véus. Um fato real foi o ponto de partida para a criação da obra de ficção.

Kabul partiu de duas fontes: um livro, As Andorinhas de Cabul, do escritor argelino Yasmina Kadra, e uma imagem real, uma mulher coberta com uma burca azul, sendo executada publicamente no estádio de Cabul, em novembro de 1999. A imagem, feita a partir de um celular, correu o mundo e revelou um fato tão cruel quanto distante.

O grupo optou por se aproximar e ir além da imagem que desaparece no instante seguinte da notícia. Quem poderia ser a mulher por debaixo daquela burca? Qual o seu rosto? Qual a sua estória? Levantar o véu… O que é contado em Kabul poderia ser a estória desta mulher.

O Amok Teatro é dirigido pela brasileira Ana Teixeira e pelo francês Stéphane Brodt, que concebem suas pesquisas em dois eixos: Antonin Artaud e Etienne Decroux, de quem herdaram também uma técnica, a mímica corporal dramática.

O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá é tema de reportagem na TV Claret

O espetáculo O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, do grupo 59 de Teatro, foi acompanhado por uma plateia infantil de alunos da rede pública de ensino de Piracicaba, e também pela reportagem da TV Claret, de Rio Claro, que esteve no Sesi Piracicaba na manhã desta segunda-feira (31) para a produção desta linda reportagem.

A comissão organizadora agradece o apoio da emissora. Acompanhem o vídeo!

Comunicado – alterações na grade de programação do Fentepira

A comissão organizadora do 6º Fentepira (Festival Nacional de Teatro de Piracicaba) informa que o espetáculo À Meia Noite um Solo de Sax na Minha Cabeça será apresentado nesta segunda-feira (31), às 20h30, no Sesi Piracicaba (avenida Luis Ralph Benatti, 600, Vila Industrial).

A distribuição dos ingressos – gratuitos – acontece a partir das 18h30 na bilheteria do Teatro do Sesi.

Inicialmente a montagem seria encenada as 20h no Teatro Municipal Dr. Losso Netto, mas a transferência foi necessária por causa da queda de energia elétrica na casa de espetáculos, ocorrida na noite de sábado (29), após forte temporal em Piracicaba, que culminou inclusive no cancelamento do espetáculo da noite de domingo (30), Contos Proibidos de Antropofocus, e no sábado, Veredas da Salvação, às 22h, na Sala 2.

Permanece inalterada, até segundo comunicado, a programação a partir do dia primeiro de novembro.

Peça de Mário Bortolotto integra programação

Este slideshow necessita de JavaScript.

O Parlapatão Henrique Stroeter apresenta ao lado do ator Fábio Espósito, o palhaço brasileiro do espetáculo Quidam do Cirque Du Soleil, o espetáculo À Meia-Noite Um Solo de Sax na Minha Cabeça, nesta segunda-feira (31), às 20h30, no Teatro do Sesi, na Vila Industrial. O texto e a direção são de Mário Bortolotto. Inicialmente, a apresentação estava prevista para as 20h de segunda, no Teatro Municipal, mas a transferência de local foi necessária porque a casa de espetáculos está sem energia elétrica.

Os dois atores são amigos de longa data e por anos compartilharam o desejo de encenar o texto de Mário Bortolotto, que esteve no dia 26 de setembro em Piracicaba para participar do projeto Conversa de Boteco, em que discutiu Dramaturgia, Literatura e Rock and Roll no Ponto de Cultura Garapa.

O espetáculo, dividido em 13 cenas, conta a história de Billy e Jesse, desde o momento em que se conhecem no berçário, onde acabaram de nascer em 1950, até a festa da virada do ano de 1983 para 1984. A narrativa atravessa estas três décadas, pontuando os acontecimentos históricos que marcaram o Brasil e conduzindo a trama pela trajetória antagônica destes dois amigos.

Henrique Stroeter é Billy, um bebê esperto e já “consciente” sobre as dificuldades que a vida lhe trará. Filho de uma prostituta, com o tempo, ele se transforma em um adolescente malandrinho. Na fase adulta não tem dinheiro, é idealista e, sempre pronto a questionar tudo, se torna um ativista político.

Já Fábio Espósito vive Jesse, o oposto do amigo. No berçário, ele interpreta uma criança educada, rica e com boas perspectivas de vida. Na adolescência experimenta comodidades burguesas e na maturidade opta pela segurança financeira e familiar.

Entre 1950 e a passagem do ano de 1983 para 1984, eles vivem diversos momentos pessoais, políticos e sociais. Para contextualizar os acontecimentos, além do texto, os atores contarão com figurinos detalhadamente estudados, e projeções de vídeo, criadas originalmente para a comédia.

Mário Bortolotto
Fundador do grupo Cemitério de Automóveis, tem mais de 30 peças no currículo. É conhecido como um dos grandes poetas dramáticos do teatro tupiniquim e como representante contemporâneo mais próximo ao universo do autor Plínio Marcos. Seus textos são repletos de histórias com personagens “à margem” da sociedade e lhe renderam o adjetivo de “autor maldito”.